Uma perspectiva da horticultura no Alentejo Litoral
O clima do Alentejo Litoral, caracterizado por diminuto risco de ocorrência de geadas e temperaturas médias durante a estação invernal, conferem-lhe grande aptidão para a cultura de produtos hortícolas e de plantas ornamentais durante todo ano.
O clima do Alentejo Litoral, caracterizado por diminuto risco de ocorrência de geadas e temperaturas médias durante a estação invernal, conferem-lhe grande aptidão para a cultura de produtos hortícolas e de plantas ornamentais durante todo ano.
Talvez os aspectos culturais, associados à baixa densidade populacional, tenham sido durante as passadas décadas os factores impeditivos do aproveitamento destas potencialidades.
Os solos existentes na Zona de Odemira são predominantemente esqueléticos, de xistos e xistos delgados, com uma zona mais litoral de charneca, o que sendo uma limitação para algumas culturas não é actualmente factor impeditivo de implantação de culturas hortícolas, quando se recorre a tecnologia de ponta. O relevo relativamente incipiente, caracterizado pela planície, as propriedades de dimensão superior ao que se encontra nas zonas com tradição hortícola e a implementação de novas zonas de regadio, são um conjunto de factores que conduziram ao aumento na última década das áreas ocupadas com culturas hortícolas e ornamentais nesta zona.
Na década de 80 surgiu um grande empreendimento com direcção estrangeira, que preconizava a implementação de uma vasta área de horticultura ao ar livre e sob abrigo. Embora não tenha chegado a bom termo, talvez tenha sido uma chamada de atenção para as particularidades climáticas desta zona e para seu enorme potencial subaproveitado.
As explorações hortícolas existentes até à data eram exclusivamente de carácter familiar. A realidade da horticultura no Alentejo Litoral é hoje bem diferente. Tem-se assistido nos últimos anos à instalação na zona de empresas estrangeiras, que aportam novos conhecimentos tecnológicos e novos mercados.
Estabelecem-se em áreas que não eram tradicionalmente exploradas para a horticultura de produtos frescos no nosso país e apresentam tendencialmente explorações de mono cultura, o que contraria também a diversidade corrente nas nossas clássicas explorações hortícolas. Refiram-se como culturas inovadoras a chicória de folhas, a rucola, a mizula, a acelga vermelha e o kiwano. Muitas das empresas instaladas têm o controlo de todo o circuito, desde a produção, passando pela lavagem, acondicionamento e comercialização. Dispõem de instalações frigoríficas e existem mesmo exemplos de sucesso de implementação de IV Gama. Para Além do mercado nacional, os mais importantes clientes estão em diversos países europeus (Espanha, Grã-bretanha, Noruega, França).
Ana Cristina Agulheiro Santos (Prof.ª Auxiliar da Universidade de Évora)
Instituto de Ciências Agrárias Mediterrânicas, Departamento Fitotecnia
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