Um contributo para o conhecimento das piscinas biológicas
As piscinas biológicas são unidades de depuração naturais que recriam o funcionamento das zonas húmidas naturais, através de uma tecnologia “limpa”, com funções lúdicas, estéticas e paisagísticas.
As piscinas biológicas são unidades de depuração naturais que recriam o funcionamento das zonas húmidas naturais, através de uma tecnologia “limpa”, com funções lúdicas, estéticas e paisagísticas. São uma combinação de uma piscina que não recorre a químicos para a sua desinfecção e um “jardim” de plantas aquáticas, sendo compostas por duas áreas: a área de banho e a área das plantas aquáticas e mesmo anfíbias, que criam um ambiente mutuamente dependente um do outro (Figura 1).
Este balanço ecológico, auto-depurador, combina as propriedades naturais de depuração das plantas, não necessitando de recorrer a produtos químicos prejudiciais ou a filtros de areia. Em vez de nos preocuparmos se o cloro ou outros químicos está a irritar olhos ou as mucosas, possivelmente agravando doenças e sinais como a asma e a congestão nasal, podemos sentirmo-nos confiantes em fazer o que os nossos antecessores fizeram um dia, isto é, nadar em água limpa não artificial.
O resultado é uma piscina livre de químicos num ambiente natural. A água está limpa mas não esterilizada, como na piscina tradicional, capaz de assegurar um normal funcionamento como o de um lago natural, contribuindo para a conservação e valorização das espécies de flora e fauna com interesse patrimonial tendo em vista a preservação da biodiversidade.
Nas piscinas biológicas faz-se uso de uma tecnologia natural mais sofisticada: o balanço ecológico. Num lago natural ou semi-natural, como é o caso das piscinas biológicas, os microorganismos decompõem a matéria orgânica não viva (plantas e animais mortos) em substâncias que podem ser usadas pelos vegetais como nutrientes, e as plantas funcionam como verdadeiros filtros vivos, absorvendo, decompondo materiais e bactérias, assim como poluentes presentes na água, convertendo-os em biomassa. Por outro lado, saliente-se ainda a contribuição da radiação solar, muito abundante nos nossos territórios, como o caso do Alentejo Litoral, para o controlo dos agentes patogénicos presentes.
A monitorização destas piscinas é de extrema importância, tanto ao nível físico-químico e microbiológico, bem como em relação à flora e vegetação, com o objectivo de avaliar o bom funcionamento deste sistema, garantindo assim a sua utilização com segurança.
É neste contexto que o Departamento de Ecologia, em estreita ligação, com o Laboratório de Águas da Universidade de Évora, tem desenvolvido várias linhas de investigação nestas temáticas tendo em vista o aprofundamento e a melhoria das técnicas utilizadas na monitorização.
Este sistema além de apresentar grandes vantagens para o ambiente, representa um alicerce muito importante para o empreendorismo, dinamizando uma área de construção, no âmbito da Engenharia Natural, através da utilização de materiais naturais, onde merece especial destaque a cobertura vegetal. Por último saliente-se ainda que pode contribuir para o crescimento económico das nossas regiões, uma vez que utiliza tecnologias simples, e consequentemente para o desenvolvimento sustentável.
Sofia Capelo (scapelo@uevora.pt) (Prof.ª Auxiliar da Universidade de Évora)
Carlos Pinto Gomes (cpgomes@uevora.pt) (Prof. Auxiliar da Universidade de Évora)
Departamento de Ecologia da Universidade de Évora
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