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Monitorização da qualidade do ar

Monitorização da qualidade do ar

Na realidade não existe, nem pode existir, ar puro (que é uma mistura de azoto, oxigénio, dióxido de carbono, ozono, vapor de água e outros gases diversos); uma miríade de processos naturais ...

Na realidade não existe, nem pode existir, ar puro (que é uma mistura de azoto, oxigénio, dióxido de carbono, ozono, vapor de água e outros gases diversos); uma miríade de processos naturais resulta na emissão de gases e partículas (aerossóis) para a atmosfera. Actividades biológicas, emissões de material vulcânico, sais marinhos, poeiras minerais e mesmo incêndios de origem natural são apenas alguns exemplos de processos naturais que contribuem para a emissão de gases e partículas na atmosfera. São, no entanto, as emissões antropogénicas (resultantes da actividade humana) que suscitam as maiores preocupações em relação à qualidade do ar e suas consequências para a saúde pública. Aquilo que se considera como poluição atmosférica inclui diversos gases (monóxido de carbono, ozono, dióxido de enxofre e de azoto, entre outros) e os aerossóis. Os aerossóis emitidos em processos de combustão em veículos motorizados, actividades industriais e na produção energética são de elevada perigosidade. No século passado, vários episódios de poluição atmosférica com graves consequências fizeram com que as entidades governamentais em diversos países desenvolvessem legislações com o intuito de monitorizar e controlar a qualidade do ar. Nestes países passaram, desde então, a existir estações de monitorização da qualidade do ar, principalmente nas zonas urbanas. No caso dos aerossóis, a sua concentração mássica é medida, isto é, a massa de partículas por unidade de volume de ar (tipicamente em micrograma por metro cúbico, μgm-3). As partículas consideradas importantes do ponto de vista da saúde pública são aquelas cujas dimensões são inferiores a 10 μm (um micrómetro é a milésima parte do milímetro), pois têm a capacidade de circularem e se depositarem nas vias respiratórias, incluindo os pulmões; esta fracção de partículas de dimensão inferior a 10 μm denomina-se PM10. A Legislação da União Europeia estabeleceu limites, diários e anuais, para a concentração mássica de PM10: Os valores médios diários não podem exceder 50 μgm-3 mais do que 35 vezes num ano e a média anual dos valores diários não deverá ser superior a 40μgm-3. Numa segunda fase, em 2010 pretende-se que os valores diários não excedam 50 μgm-3 mais do que 7 vezes num ano, e que a média anual do valor diário seja reduzido para metade, ou seja, 20 μgm-3.

Para fazer a monitorização da qualidadedo ar à superfície, em termos de partículas, utilizam-se nos dias de hoje diferentes tipos de instrumentos, alguns deles a funcionar no Centro de Geofísica de Évora (http://www.cge.uevora.pt). A técnica mais antiga e directa para medir a massa das partículas na atmosfera consiste em aspirar uma amostra de ar e fazê-la passar através de um filtro onde as partículas ficam depositadas.

Se o filtro for pesado antes e depois de ser utilizado ficamos então a saber o acréscimo de massa durante um certo tempo (normalmente 24 horas). Se a massa for dividida pelo volume total de ar aspirado durante esse intervalo de tempo, obtém-se a concentração mássica pretendida.

Sérgio Pereira (Membro do Centro de Geofísica de Évora da Universidade de Évora)
Nuno Belo (Membro do Centro de Geofísica de Évora da Universidade de Évora)

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  • >Monitorização da qualidade do ar (aerossóis), por meios clássicos e ópticos - , (, 45kb)DOWNLOAD ⇑