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Melhorar a gestão da água e o estado dos ecossistemas aquáticos

Melhorar a gestão da água e o estado dos ecossistemas aquáticos

É cada vez mais evidente a importância da água para a vida e enquanto componente do ecossistema global.

É cada vez mais evidente a importância da água para a vida e enquanto componente do ecossistema global. Trata-se de um recurso que, não só satisfaz as necessidades básicas da população humana e é fundamental para o desenvolvimento, em particular para a criação e manutenção de riqueza através da agricultura, da pesca comercial, da produção de electricidade, da indústria, dos transportes e do turismo, como é vital para todos os ecossistemas globais. Todavia, os factos revelam que enfrentamos uma crise de água a nível global. De facto 20% das águas superficiais da União Europeia correm sério risco de poluição e 60% das cidades europeias exploram de forma excessiva as suas águas subterrâneas causando situações de “perigo de extinção” de muitas zonas húmidas.

Tendo em conta o número crescente de pressões a que os nossos recursos hídricos estão expostos, é vital criar instrumentos legislativos eficazes que abordem os problemas de forma clara e ajudem a preservar os recursos para as próximas gerações. A Directiva-Quadro da Água Europeia (DQA) surge neste sentido e estende o âmbito de aplicação das medidas de protecção da água a todas as águas definindo como objectivo alcançar o  “bom estado” de todas as águas europeias até 2015 e assegurar-se a utilização sustentável da água em toda a Europa.

Com esta Directiva comunitária pretende-se criar um sistema de gestão das bacias hidrográficas onde se reconhece que os sistemas hídricos não param nas fronteiras políticas e se envolve a participação activa de todos os interessados, ONG e as comunidades locais, nas actividades de gestão dos recursos hídricos, promovendo assim a redução e o controlo da poluição proveniente de todas as fontes, como a agricultura, a
actividade industrial e as áreas urbanas, etc. Basicamente, a DQA visa criar uma nova solidariedade em torno da gestão das águas e das bacias hidrográficas e fixa também objectivos ecológicos ambiciosos para os ecossistemas aquáticos dos nossos rios, lagos e águas costeiras.

A gestão da água passa assim a considerar também o estado ecológico, o qual assenta numa avaliação da qualidade com base no estado da fauna e flora. Os peixes, macro-invertebrados, macrófitas (plantas aquáticas) e algas unicelulares têm sido os grupos biológicos mais utilizados como bio-indicadores do estado de perturbação dos ecossistemas. As ferramentas de diagnóstico da qualidade ecológica e os programas de monitorização são desenvolvidos a nível nacional pelo Instituto da Água em colaboração com equipas de investigação de algumas Universidades do país, nos quais se integram investigadores da Universidade de Évora. Nestes estudos são identificadas as várias perturbações de origem antropogénica, nos vários tipos de massas de água do país, assim como a resposta dos elementos biológicos ao gradiente de pressão, expressa através de índices bióticos. O objectivo final consiste em avaliar o grau de perturbação das respectivas comunidades relativamente às condições de referência, isto é, ausência de pressões significativas, de modo a sejam desenvolvidas medidas de reabilitação dessas massas de água quando as mesmas apresentem um estado ecológico inferior a bom.

Maria Ilhéu (milheu@uevora.pt) (Prof.ª Auxiliar da Universidade de Évora)
Departamento de Ecologia da Universidade de Évora

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