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Sistemas estuarianos lagunares do litoral sudoeste

Sistemas estuarianos lagunares do litoral sudoeste

O elevado interesse (valores naturais, paisagísticos e culturais) do litoral SW de Portugal foi reconhecido em 1988.

O elevado interesse (valores naturais, paisagísticos e culturais) do litoral SW de Portugal foi reconhecido em 1988.

Com a criação da “Área de Paisagem Protegida do SW Alentejano e Costa Vicentina” que em 1995 foi regulamentada (dec. lei nº 26/95 de 21-09-95) como Parque Natural: PNSACV.

De entre os 750 taxa existentes no PNSACV mais de 100 são reconhecidos como espécies ou endémicas ou raras ou localizadas.

O litoral SW é cortado por pequenos vales encaixados, que apresentam elevada riqueza floristica, e linhas de água que ao desaguar no oceano podem formar pequenos estuários. A elevada riqueza em espécies relaciona-se de algum modo com esses cursos de água.

A zona estuarina dos cursos desempenha um importante papel nos ciclos biológicos de várias espécies tanto terrestres (e.g lontra, aves limnícolas) como marinhas (e.g. berbigão, ameijoa, lambujinha, minhoca, robalo, sargo, linguado, tainhas). O papel de “nursery” destes estuários é confirmado não só pela dominância de peixes marinhos como também pelo elevado número de juvenis que aí se podem encontrar.

Com excepção do Rio Mira os sistemas lóticos existentes no PNSACV são de pequena dimensão sobressaindo 3 ribeiras: Seixe, Aljezur e Carrapateira, locais de estudo para docentes das Univ. de Évora e Algarve (Costa 1993; Costa & Cristo 1994; 1996; Costa et al 1987;1988;1989; 2006).

A hidrologia e a sedimentologia destes sistemas são reguladas pela interacção entre a descarga fluvial, que pode ser quase nula, e a entrada de água do mar. A formação, na embocadura destas ribeiras, de cordões arenosos instáveis pode interromper a ligação com o mar quando associada à existência de fracos caudais fluviais. O restabelecimento da ligação com o mar dá-se quando há a ruptura do cordão, nomeadamente com os fortes caudais formados após períodos de chuva intensa. Esta dinâmica ora confere a estes sistemas características próprias dos meios lagunares, ora características dos estuários. 

Ana Manuel Costa (amac@uevora.pt) (Prof.ª Auxiliar da Universiade de Évora)
Departamento de Ecologia da Universidade de Évora

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