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Javali - o passado, o passado recente e o presente da espécie em Portugal

... As prerrogativas cinegéticas régias, monásticas e senhoriais, bem como uma antiga regulamentação protectora da fauna bravia...

O passado
As prerrogativas cinegéticas régias, monásticas e senhoriais, bem como uma antiga regulamentação protectora da fauna bravia, terão permitido até ao dealbar do século XX a ocorrência de ungulados silvestres em densidades compatíveis com a capacidade de suporte do meio. Contudo, em consequência das convulsões sociais que marcaram a viragem do século XIX, as espécies de caça maior sofreram um forte declínio populacional, restringindo-se a presença do javali, depois da implantação da República, a algumas serranias no norte do país e a pequenas e esparsas "bolsas" raianas no centro e sul do território continental.

O passado recente
A partir de finais da década de 70 do século passado, beneficiando do abandono dos campos em regiões marginais para a agricultura, verificado tanto em Portugal como em algumas regiões fronteiriças da vizinha Espanha, a espécie iniciou a recolonização do interior do país, aí penetrando através de sistemas montanhosos. A sul do Tejo a espécie ocupava então toda a região entre a fronteira e o Guadiana, estava presente na Serra de Portel e na região de Arraiolos, ocorria esporadicamente na Serra do Caldeirão, tendo sido registada uma captura em Vila do Bispo. Nos anos 80 e início da década de 90 a espécie continuava a alargar a sua área de ocorrência, tornando-se igualmente mais populosa em algumas regiões interiores do país. 


Do passado recente ao presente
No entanto, desde meados da década de 90 o número de javalis cobrados por unidade de área concessionada tem vindo a decrescer, variando inversamente com a superfície submetida a regime cinegético especial. Os resultados de exploração cinegética sugerem todavia divergentes tendências populacionais nos diferentes concelhos do Alentejo.

Assim, enquanto em concelhos como Crato e Marvão se tem registado um adensamento populacional mais ou menos progressivo, já em concelhos como Mértola e Moura se vem assistido a uma continuada tendência oposta. Deste modo, na época de 1990/1991 em Mértola e Moura contabilizaram-se, em média, respectivamente 19,8 e 14,5 javalis cobrados por cada 1000 ha de área concessionada, enquanto na época de 1996/1997 este números caíram respectivamente para 7,3 e 7,8. Ao invés, na época de 1990/1991 não havia registo de qualquer javali cobrado no regime cinegético especial nos concelhos do Crato e de Marvão, enquanto na época de 1995/1996 se contaram, em média, respectivamente 24,8 e 19,8 javalis cobrados por cada 1000 ha de área concessionada. A evolução dos quantitativos cobrados ao longo da década de 90, parece reflectir, por um lado, o crescimento do terreno cinegético ordenado, e, por outro, as políticas de apoio à floresta e de reconversão de terrenos agrícolas abandonados a uso florestal.

Pedro Santos (aps@uevora.pt)  (Prof. Auxiliar da Universidade de Évora)
Departamento Ecologia

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