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A detecção remota e a cartografia das áreas queimadas em Portugal

Detenção remota de fogos florestais

Nas últimas décadas os fogos florestais têm tido uma importância relevante para a sociedade, pelos seus impactos a diversos níveis.

 Nas últimas décadas os fogos florestais têm tido uma importância relevante para a sociedade, pelos seus impactos a diversos níveis. O fogo desde sempre foi considerado um elemento integrante da dinâmica dos ecossistemas florestais mediterrâneos. No entanto a frequência com que este fenómeno tem ocorrido nas últimas décadas, tem suscitado uma preocupação crescente por parte da comunidade científica e governamental.

Segundo as estatísticas fornecidas pela Direcção Geral dos Recursos Florestas (DGRF) entre 1980 e 1998 arderam em Portugal Continental cerca de 1,7x106 ha, o que corresponde a uma média de 89.000 ha por ano, e para os anos seguintes até 2002, uma média anual de 116.697 ha. Desde então a situação agravou-se, destacando-se o ano de 2003 com uma área queimada de 425.706 ha, 2004 com 129.539 ha, 2005 com 312.829 ha e 2006 com 57.994 ha (valor provisório).

Estes valores são bastante elevados quando comparados com a rearborização que é realizada anualmente e, como tal, surge a necessidade de cartografar e quantificar, de uma forma eficiente e expedita a área ardida em cada época de incêndios, de modo a serem tomadas medidas apropriadas de planeamento que minimizem os impactos económicos, ecológicos, atmosféricos e climáticos do fogo em Portugal.

A necessidade de localizar e quantificar as áreas ardidas relativas a cada época de incêndios tem uma relação elevada com a tomada de medidas de gestão das áreas afectadas pelo fogo. Em Portugal Continental ocorre um número elevado de fogos de pequenas dimensões, no entanto, a área correspondente é pouco significativa quando comparada com a área total ardida anualmente.

Considerando a extensão e a acessibilidade de determinadas áreas afectadas pelo fogo, a Detecção Remota surge como um meio de obter este tipo de informação de uma forma mais eficiente e expedita.

Na última década, têm sido desenvolvidas diversas aplicações com imagens de satélite no âmbito dos incêndios florestais em Portugal. Num estudo enquadrado numa tese de mestrado (Sousa, 1999) foi desenvolvida uma metodologia de cartografia das áreas ardidas superiores a 500 ha com dados diários do satélite National Oceanic and Atmospheric Administration /Advanced Very High Resolution Radiomater (NOAA/AVHRR) com uma resolução espacial de 1 km. Neste estudo testaram-se métodos de detecção de diferenças, com imagens de datas pré-fogo e pós-fogo, tendo sido optimizados os limiares de segmentação das classes de ardido e não ardido através da aplicação das funções de pertença (fuzzy sets) a combinações de canais espectrais e ao canal térmico individualmente. A validação do mapa de áreas ardidas resultante foi realizada com dados de alta resolução espacial (30 m) do satélite Landsat.

Neste estudo obteve-se uma metodologia para a cartografia das áreas ardidas de maiores dimensões com imagens de grande cobertura e de baixo custo.

Adélia M. Oliveira Sousa (asousa@evora.pt (Assistente da Universidade de Évora)
Instituto de Ciências Agrárias Mediterrânicas, Departamento de Engenharia Rural

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