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Energia geotérmica

Geotérmica

O interior do planeta tem uma grande quantidade de energia térmica, a qual é transmitida para a crosta terrestre, sobretudo por condução. Esta energia representa uma potência de 10 mil vezes a energia consumida anualmente no mundo.

A energia térmica pode ser classificada em duas categorias: as altas temperaturas, iguais ou superiores a 150ºC, geralmente associadas à actividade vulcânica, sísmica ou magmática, sem a possibilidade do seu aproveitamento para a produção de electricidade; as baixas temperaturas, são inferiores a 100ºC, que resultam, por norma, da circulação de água de origem meteórica em falhas e fracturas e da água residente em rochas porosas a grande profundidade. Este calor pode ser usado para o aquecimento ambiente, de águas, piscicultura ou processos industriais.

Nos processos geotérmicos existe transferência de energia por convexão tornando útil o calor que é produzido no interior da Terra. O aproveitamento também pode ser concretizado através de tecnologia de injecção de água, a partir da superfície em maciços rochosos quentes.

O uso ideal de energia geotérmica é em cascata, a temperaturas progressivamente mais baixas, até cerca de 20ºC. Também se usam ciclos binários na produção de energia eléctrica e de bombas de calor no caso de utilizações directas.

Panorama nacional

Em Portugal existem, sobretudo, aproveitamentos de baixa temperatura ou termais. Este aproveitamento pode ser dividido em duas vias: aproveitamento de pólos termais existentes (temperaturas entre os 20 e os 76ºC) e aproveitamento de aquíferos profundos das bacias sedimentares. Exemplos do primeiro caso são as termas de Chaves e São Pedro do Sul, com cerca de 3 MWt (megawatt thermal) a temperaturas de cerca de 75ºC. O segundo caso pode-se encontrar no projecto geotérmico do Hospital da Força Aérea do Lumiar, em Lisboa, onde a partir de um furo de 1500 metros de profundidade se conseguem temperaturas de 50 graus.

Os aproveitamentos geotérmicos mais interessantes em Portugal encontram-se nos Açores, onde estão inventariados cerca de 235,5 MWt, distribuídos por várias ilhas. Só na ilha de São Miguel, através das centrais geotérmicas de Ribeira Grande e Pico Vermelho, esta energia representou cerca de 35% da electricidade consumida na ilha em 2001. A energia geotérmica é uma fonte essencial no arquipélago dos Açores, podendo aumentar em 30 MWe (megawatt electrical) na próxima década.

No Continente existe o aproveitamento de pólos termais e aplicações directas nas orlas sedimentares, que podem representar um potencial de cerca de 20 MWt.

Uma outra aplicação pode passar pelas bombas de calor geotérmicas (BCG) reversíveis, que aproveitam o calor a partir de aquíferos ou formações geológicas através de permutadores instalados no subsolo, o que permite a utilização para aquecimento e climatização, até um potencial de 12 MWt.