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Sines

Vista da baía de Sines

Situada exactamente no centro da costa alentejana, a 150 Km de Lisboa e a 80 Km de Setúbal (a cujo distrito pertence), Sines tem uma posição geostratégica de privilégio.

A norte e a este, Sines confina com o concelho de Santiago do Cacém e, a sul, com o concelho de Odemira. Possui uma população de cerca de 13.500 habitantes. A sede do concelho, situada na vertente sul do cabo com o mesmo nome, é a única cidade costeira do Alentejo e uma das que, neste momento, apresenta maiores perspectivas de crescimento, sobretudo devido à sua localização estratégica e condições logísticas – nas quais o Porto de Sines detém especial destaque. Porto Covo, aldeia turística, é a sede da segunda freguesia do concelho (criada em 1984) e o seu segundo centro urbano mais importante. A parte sul do concelho (a partir da praia de São Torpes), uma faixa litoral de assinalável preservação e beleza, com algumas das mais belas e virgens praias do país, está integrada no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina.

Locais de interesse:

Porto Covo. Uma aldeia pitoresca de pescadores, com casas típicas, de vista privilegiada para o mar. O largo principal transporta-nos numa viagem temporal até ao séc. XVII e à arquitectura popular daquele tempo. São as praias de água transparente e areia branca e fina que seduzem os visitantes. Abundantes em peixe, atraem tanto os bons comensais como os praticantes de windsurf, passeios de barco e pesca desportiva. Porto Covo assume-se como ponto de chegada para a fruição dos prazeres balneares e pode ser um ponto de partida para incursões pelo interior. Em frente a Porto Covo, encontra-se a musical ilha do Pessegueiro. Pensa-se que os cartagineses se terão estabelecido na ilha ainda antes da II Guerra Púnica (218-202 a. C.). Na época romana foi um centro portuário e produtor de conservas de peixe, cujas marcas ainda podem ser observadas. É possível que a ilha corresponda à antiga Poetanion referida nos textos clássicos. Refúgio de piratas durante séculos, a ilha necessitou de defesa contra eles e, em consequência, foi construído o primeiro forte, a mando de Filipe III, em 1603. Não resistiu porém aos ataques e em finais do séc. XVII, D. Pedro II ordenou a construção de um novo forte, com uma guarnição de 30 homens e cinco peças de artilharia. Também para evitar ataques a partir do continente, foi construído o forte da “ilha de dentro”, hoje abandonado, apesar de ainda serem visíveis o seu fosso e as muralhas quase intactas. O seu amplo terraço permite ver a ilha do Pessegueiro, a praia, e os rochedos que protegem Porto Covo.

São Torpes. A "jangada" de São Torpes é um barquinho de cana usado na pesca de marisco nas praias a sul de Sines. Modelo egípcio disseminado no Mediterrâneo pelos Fenícios, é uma raridade etnográfica viva. Até meados da década de 80, moravam junto das praias de São Torpes os pescadores-cabaneiros. Viviam do marisco que vendiam aos restaurantes e das hortas que tinham no campo, a algumas centenas de metros. Quando o pergaminho substituiu o papiro como suporte da escrita, o cultivo da planta decaiu e a cana era a matéria-prima de recurso mais acessível – a sua fibra não retém água e é muito flutuante. À medida que as ribeiras emagreceram (a partir do séc. XIV), os pescadores fluviais passaram definitivamente ao mar. Mas não modificaram a embarcação, o que restringia a sua navegabilidade aos dias de mar muito calmo. Usavam a gaiola de vime ("covas" ou "coviens") e hoje, especialmente, a nassa – feita de ferro e rede de plástico – para apanhar marisco e peixe das rochas. Apesar de muito residual, é conhecido ainda hoje o uso da "jangada" em pescarias ocasionais.