António Inácio da Cruz nasceu em Grândola, em 1876. Era filho de Francisco António da Cruz e de Maria Inácia Pereira, ambos naturais da Abela. A fortuna dos seus ascendentes foi repartida por ele e pela irmã, Ana Luísa da Costa Cruz, que deixou todos os bens à Santa Casa da Misericórdia de Grândola. Ao longo da sua vida, António Inácio da Cruz conservou e aumentou o seu já grandioso património. Apesar de nunca ter estudado, foi investigador, inventor, ensaísta, filósofo, etnólogo, músico e astrónomo. Produziu ensaios sobre astronomia, química, e ciências sociais. Dedicou-se também aos inventos e à arqueologia.
Foi um homem reservado e com poucos amigos, mas sempre pronto a ajudar os necessitados. Todos os meses contribuía para a sopa dos pobres e aos sábados dava esmola à porta de casa, a todos os que fossem lá pedir. Por volta de 1936, na altura de uma grave crise de trabalho devido a chuvas intensas, dava dez escudos a todos os homens que estavam sem trabalho.
Como não tinha descendentes, legou o seu património ao concelho. Em testamento ficou expressa a sua intenção de ser criada uma fundação com o seu nome, que administraria os bens legados. No entanto, não se esqueceu daqueles que sempre o serviram e dos amigos, pois por todos repartiu algum dinheiro e tudo o que estava dentro da casa onde vivia, bem como alguns bens imobiliários. Os lucros obtidos pela fundação através da exploração do património reverteriam para as obras da instituição: auxílio a estudantes necessitados de Grândola que se distinguissem pelas melhores notas e também para a construção e manutenção de uma escola de ensino técnico-agrícola ou industrial.
A fundação teria como administrador uma junta directiva, que seria constituída por um representante da autarquia, dois professores do ensino oficial e dois agricultores do concelho. A Fundação António Inácio da Cruz foi criada em 1958, sendo o seu primeiro presidente José Machado, na altura presidente da autarquia. Durante os anos seguintes, foram dados apoios a alunos necessitados do concelho e em 1964 foi inaugurada a Escola Secundária António Inácio da Cruz, totalmente custeada e gerida com o dinheiro da Fundação.
A quantidade de bens legados – dinheiro, acções em muitas empresas, várias moradias e herdades – pelo benemérito foi enorme, tendo ficado todos ao serviço da população estudantil do concelho de Grândola. Em 1977, a Fundação foi extinta pelo governo. António Inácio da Cruz faleceu vítima de leucemia, a 3 de Abril de 1955, com 78 anos. Está sepultado no cemitério de Grândola. Com o seu nome existe em Grândola uma escola e uma avenida. No Jardim 1º de Maio, encontra-se um busto em sua homenagem.
Fonte: Escola Secundária António Inácio da Cruz