A falésia tomou já conta da costa. O fascínio do mar torna-se cada vez mais poderoso e, com ele, o desejo de fruir as pequenas praias envolvidas por escarpas xistosas, aberturas de excepção para um Atlântico tonificante, que nos contagia com o seu vigor.
Os acessos sinalizados indicam, na maioria dos casos, praias com apoios: vigilância, bares e restaurantes com peixe fresco. Os praticantes de turismo de natureza que quiserem levar mais longe a sua descoberta não sesentirão defraudados: a quase totalidade da falésia pode-se percorrer a pé pelas veredas dos pescadores, tendo como quase únicas companhias a águia de Bonelli, a águia pesqueira, a garça de bico vermelho, o peneireiro de dorso liso, o pombo da rocha ou os morcegos cavernículas. Aqui e além, encontram-se caminhos para o mar. Por vezes, a descida é difícil, mas tendo especial cuidado, poder-se-á aventurar sem risco e verá premiado o seu esforço com a descoberta de recantos da costa onde parece nunca ter estado ninguém. Nesta zona, como aconteceu mais a norte, a força do litoral não anula o apelo do interior. Pelo contrário. Em Vila Nova de Milfontes, por exemplo, é irresistível o convite para navegar rio acima até Odemira, por conta própria ou em passeios organizados.
Nesta simpática vila entre a serra e o mar (que, quem optar pelo automóvel, depois de uma paragem imprescindível na praia de Almograve e no Porto de Lapa de Pombas, deve visitar a partir do Cabo Sardão), encontra-se excelentes miradouros sobre o rio e aprazíveis locais de fruição da natureza, como o Parque das Águas ou o Pego das Pias.
A partir de Odemira, entre cabeços e vales semeados de invejáveis montes, justifica-se em pleno uma incursão à grande barragem de Santa Clara, que estende um dos seus braços até ao longínquo Castro da Cola. Suba à pousada, com uma vista magnífica sobre a albufeira, e deixe-se tentar por um passeio de barco ou de BTT.
Regressando por São Teotónio, ceda sem resistência aos encantos das últimas praias da costa: Zambujeira do Mar, Carvalhal e Odeceixe, foz da ribeira de Seixe, fronteira sul do Sudoeste Alentejano.