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Do Estuário do Sado às praias do Sudoeste

Passando pelos vários concelhos...

Alcácer do Sal

Quem ruma para sul, vindo da zona de Lisboa, encontra uma antiquíssima cidade que pode ser o ponto de partida para um grande passeio: Alcácer do Sal, que o receberá alegremente à beira-rio, com os seus mariscos e pinhoadas.


Suba ao castelo, onde das ruínas do convento de Aracoelli se fez uma pousada, e, no seu Museu de Arqueologia, leia a História destas paragens, que conheceram gregos, fenícios, romanos, árabes e bélicos cavaleiros da Ordem de Santiago. Visite a igreja de Santa Maria do Castelo, construção romano-gótica, e, bem perto, um outro interessante expoente da arquitectura religiosa: a igreja do convento de Santo António, fundada em 1500, ao gosto da renascença italiana, e que integra a Capela das Onze Mil Virgens.


Descendo as ruas estreitas do núcleo histórico, esperam-no os azulejos e a talha dourada da igreja de Santiago, reconstruída na época de D. João V, e o Museu Municipal, instalado na igreja do Espírito Santo. A partir de Alcácer, os aficionados de desportos náuticos podem remar rio abaixo, para receber cumprimentos dos divertidos golfinhos, ou visitar as barragens de Pego do Altar e de Vale do Gaio, excelente pretexto para conhecer duas povoações alentejanas: Santa Susana e Torrão. Rumando para a costa, a estrada que margina a Reserva Natural do Estuário do Sado dá acesso ao curioso porto palafítico da Carrasqueira, com uma soberba vista sobre os sapais de estuário.

Grândola

Entrando em terras de Grândola, a Península de Tróia assume-se como pólo turístico, em cuja área se inclui a Estação Arqueológica de Tróia, um dos mais interessantes conjuntos fabris de conserva de peixe do Império Romano.


A exploração do imenso areal que se inicia nesta ponta norte torna obrigação parar no Museu do Arroz de Comporta e receber de mão beijada belas surpresas como o conjunto de arribas das praias da Galé e dos Pinheiros. Mesmo em épocas mais concorridas, quem deseja sossego e solidão só tem de pagar o pequeno preço de caminhar umas centenas de metros para lá dos acessos fáceis e da movimentação dos bares, restaurantes e vida social intensa.


De mãos dadas com a praia, o campo sugere-nos uma rota em ziguezague entre o litoral e o interior. Depois de uma paragem em Pinheiro da Cruz, para conhecer a produção de vinhos e de artesanato dos habitantes do seu estabelecimento prisional, prossiga para Grândola, “vila morena”, onde os romanos deixaram marcas da sua presença: no recinto da Escola Primária, visite a Estação Arqueológica do Cerrado do Castelo, onde, nos anos 90, foram identificadas umas termas (que podem indicar a existência de uma villa) e dois fornos de produção de telhas de canudo.


Deixe-se tomar depois pelo ar puro da serra, calcorreando-lhe pelos trilhos da Rota da Serra, percursos pedestres sinalizados que, além de nos envolver em mantos de verdura, nos oferece, como banco de repouso, a bonita aldeia de Santa Margarida da Serra. Se o tempo tal não permitir, suba, pelo menos, ao extraordinário miradouro que é a Ermida da Senhora da Penha, construção do séc. XVIII, com um interessante revestimento azulejar e uma colecção de ex-votos. Prosseguindo nesta estrada, na qual, mais adiante, se pode ver a barragem romana do Pego da Moura, teria acesso directo a Santiago do Cacém. Opte porém pela estrada que conduz às lagoas de Melides e de Santo André, verdadeiros paraísos para a avifauna e espécies piscatórias, abertos à prática de desportos náuticos, à pesca, à caça, e motivadoras de longas caminhadas a pé.

Odemira

A falésia tomou já conta da costa. O fascínio do mar torna-se cada vez mais poderoso e, com ele, o desejo de fruir as pequenas praias envolvidas por escarpas xistosas, aberturas de excepção para um Atlântico tonificante, que nos contagia com o seu vigor.


Os acessos sinalizados indicam, na maioria dos casos, praias com apoios: vigilância, bares e restaurantes com peixe fresco. Os praticantes de turismo de natureza que quiserem levar mais longe a sua descoberta não sesentirão defraudados: a quase totalidade da falésia pode-se percorrer a pé pelas veredas dos pescadores, tendo como quase únicas companhias a águia de Bonelli, a águia pesqueira, a garça de bico vermelho, o peneireiro de dorso liso, o pombo da rocha ou os morcegos cavernículas. Aqui e além, encontram-se caminhos para o mar. Por vezes, a descida é difícil, mas tendo especial cuidado, poder-se-á aventurar sem risco e verá premiado o seu esforço com a descoberta de recantos da costa onde parece nunca ter estado ninguém. Nesta zona, como aconteceu mais a norte, a força do litoral não anula o apelo do interior. Pelo contrário. Em Vila Nova de Milfontes, por exemplo, é irresistível o convite para navegar rio acima até Odemira, por conta própria ou em passeios organizados.


Nesta simpática vila entre a serra e o mar (que, quem optar pelo automóvel, depois de uma paragem imprescindível na praia de Almograve e no Porto de Lapa de Pombas, deve visitar a partir do Cabo Sardão), encontra-se excelentes miradouros sobre o rio e aprazíveis locais de fruição da natureza, como o Parque das Águas ou o Pego das Pias.


A partir de Odemira, entre cabeços e vales semeados de invejáveis montes, justifica-se em pleno uma incursão à grande barragem de Santa Clara, que estende um dos seus braços até ao longínquo Castro da Cola. Suba à pousada, com uma vista magnífica sobre a albufeira, e deixe-se tentar por um passeio de barco ou de BTT.

Regressando por São Teotónio, ceda sem resistência aos encantos das últimas praias da costa: Zambujeira do Mar, Carvalhal e Odeceixe, foz da ribeira de Seixe, fronteira sul do Sudoeste Alentejano.

Santiago do Cacém

Santiago do Cacém espera-o com um programa de visitas que não se resolve com grandes pressas. É o Castelo, a igreja matriz e a Capela de São Pedro, que, envolvidos pelo Passeio das Romeirinhas, dominam a paisagem. Na igreja matriz, uma abóbada revestida de azulejos seiscentistas, um alto-relevo gótico representando Santiago em combate contra os Mouros e, no exterior, a Porta do Sol, belo portal gótico. A Praça do Conde de Bracial, a convidar ao passeio pelas estreitas e íngremes ruas do centro histórico. O Museu Municipal, instalado na antiga Cadeia comarcã. 

O Parque Urbano Rio da Figueira, espaço verde equipado com campos desportivos, parques de diversão infantil, piscina e circuito de manutenção. O moinho de vento das Cumeadas, recuperado, que, em dias de bom vento, nos deixa recordar as tradicionais técnicas de moagem de cereais.


Finalmente, a requerer pelo menos uma hora, as ruínas da importante cidade de Miróbriga, onde se pode apreciar o templo de culto imperial, localizado no fórum, termas em bom estado de conservação e, a cerca de 1 km, um hipódromo, monumento único no País. Entre Santiago e Vila Nova de Milfontes, abrem-se dois itinerários de características diferentes. Quem sentir como mais forte o apelo do campo, deverá rumar a Cercal do Alentejo, via São Domingos, fazer uma incursão à barragem de Fonte Serne e, depois, prosseguir na bela estrada que passa sobre o paredão da barragem de Campilhas. Os amantes da costa deverão dirigir-se directamente para Sines.

Sines

Ancestral porto pesqueiro que, apesar da sua actual vocação industrial, mantém o encanto do seu centro histórico, marcado pelo castelo, berço de Vasco da Gama, e a ermida de Nossa Senhora das Salvas. Penetrando no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, siga na estrada que, a partir do areal de São Torpes, margina a costa e o colocará em Porto Covo. Aqui, para além das praias, veja a praça da vila, genuína peça urbanística da era pombalina. Bem perto, paragem obrigatória na praia da histórica e apelativa ilha do Pessegueiro, a que se pode aceder a nado ou nos barcos dos pescadores.


Mais adiante, a praia do Malhão anuncia-nos a proximidade de Vila Nova de Milfontes, animada estância balnear do concelho de Odemira, que nos presenteia com a serena beleza do estuário do Mira.