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Grândola

A costa do concelho de Grândola estende-se desde Tróia até Melides.

Onde fica?
O concelho de Grândola pertence ao distrito de Setúbal e alberga cerca de 14.900 habitantes. Confina a norte com o município de Alcácer do Sal e a sul, com Santiago do Cacém; a sua costa estende-se desde a península de Tróia até Melides, ao longo de 45 Km. Se, do ponto de vista climático, o concelho é definido por duas grandes zonas, litoral e interior, quanto às características geológicas e uso do solo são identificáveis três grandes zonas – a bacia do Sado, a serra de Grândola e a faixa litoral.


As praias são parte da beleza deste concelho: Tróia, Comporta, Carvalhal, Galé, Alberta Nova e Melides combinam a beleza do oceano com a paisagem refrescante da serra da Arrábida. Centro geográfico do concelho, a vila de Grândola tem vindo a demonstrar uma grande capacidade de atracção relativamente aos restantes centros urbanos. Dista a cerca de 400 km do Porto; 120 km de Lisboa; a menos de 100 km de Évora.

Como chegar?

O que visitar?
Na entrada norte da vila de Grândola, localiza-se o Memorial ao 25 de Abril, monumento comemorativo dos 25 anos da Revolução dos Cravos. É uma longa parede ligeiramente curva, com azulejo impresso em serigrafia. Foi inaugurado a 24 Abril de 1999.


A Rota da Serra é o itinerário pedestre mais percorrido de Portugal. Lance-se nesta aventura e inicie o percurso no jardim Dr. Jacinto Nunes em frente da Câmara Municipal de Grândola. Dali siga até à Praça Marquês de Pombal – a igreja matriz de Grândola, do séc. XV, é digna de visita: de estilo chão, pela simplicidade e limpidez das formas, parcimónia de aberturas; o interior é barroco: talha de estilo nacional em altares laterais com colunas pseudo-salomónicas. O retábulo-mor é de estilo neoclássico.


Depois de abandonar a igreja, siga em direcção ao mercado; ingresse na Rua Luís de Camões até à rua Anchieta. Nesta, vire à esquerda, passe na antiga central eléctrica e entre na rua de Melides, que acaba numa azinhaga que o conduzirá à serra de Grândola. Cuidado com a travessia da Estrada Nacional. Tome uma vereda por entre um olival secular. Repare nos troncos e constate a idade avançada das oliveiras. Esta azinhaga termina na estrada para Melides, da qual deve percorrer uma distância de cerca 50 metros – estará outra vez no trilho de terra. Para facilitar, siga as marcas.


Por altura de Corte Ferreiro de Cima, aproveite para descansar na fonte, “uma fonte de mergulho”, como é designada. Contemple o cenário que o rodeia – um jardim de urzes, brancas e vermelhas, medronheiros, giestas, folhado, sobreiros, oliveiras...


Prossiga até ao Outeiro dos Píncaros, cota mais alta do percurso. Aprecie a paisagem. Desça depois por um vale frondoso onde a vegetação do sub-bosque atinge porte considerável, especialmente a urze e o medronheiro. Se se deslocar em silêncio, poderá ouvir o chilrear de várias espécies de aves que aqui nidificam – chapins, melros, piscos, cartaxos, rolas, pombos torcazes. Também ouvirá o matraquear do pica-pau nos troncos velhos e o grasnar dos corvídeos. A águia cobreira e a águia-de-asa-redonda também aqui vivem, assim como algumas rapinas nocturnas: o mocho galego, a coruja das torres, a coruja do mato, etc. No sub-bosque encontram-se ainda várias espécies: coelho, saca-rabos, gineta, raposa, etc.


Suba por outro vale até ao Estreito, pequeno monte em ruínas. Aqui, logo à entrada, apresenta-se uma oliveira frondosa, enorme, secular. É um monumento vivo! Suba mais um pouco até ganhar a cumeada. Siga por ela.Depois de uma pequena aldeia em ruínas, inicie a suave descida até à Fontinha, atravesse a estrada e a ribeira de Grândola, atingindo por fim a ermida da Nossa Sr.ª da Penha de França, datada do séc. XVIII, montanha sagrada da região. Daqui pode avistar a vila de Grândola e tudo em seu redor até perder de vista. Descanse um pouco. Retome a jornada e continue a descer, atravessando outro olival de enormes oliveiras; volte a atravessar a ribeira e estará em Grândola.

O que comer?
Na cozinha tradicional do concelho de Grândola coexistem dois aspectos fundamentais. Por um lado, o resultante das influências do Alentejo interior, onde predominam os caldos, as açordas, os jantarinhos, os pratos à base de carne de porco e borrego e os pratos de caça; por outro lado, o que deriva das actividades piscatórias artesanais desenvolvidas ao longo da faixa costeira e da proximidade de importantes portos de pesca, resultando em vários pratos de peixe, como por exemplo: as sopas e massa de peixe, as enguias (ensopado, caldeirada ou fritas). Quanto a vinhos, destaca-se o de Pinheiro da Cruz. Na doçaria, é possível desfrutar das alcomonias e os rebuçados de pinhão de Melides.

O que vestir?
O clima de Grândola é tradicionalmente moderado. No entanto, no Verão as temperaturas podem chegar a valores relativamente elevados. A roupa deve ser leve, no tempo quente, e quente no Inverno, pois as temperaturas podem atingir alguma severidade.

Nos arredores
A herdade do Pinheiro é assinalada pelo magnífico palácio, a que se junta o restante casario do monte, mirando os sapais, na herdade ainda se encontram, na zona baixa – anteriormente acessível por um braço de rio – fornos de cozer cerâmica da época romana. Os dois fornos mais bem conservados apresentam uma planta circular precedida de um atrium revestido lateralmente por blocos calcários. A sua infra-estrutura integra cinco arcos e suporta uma grelha de agulheiros rectangulares. A parte superior dos fornos foi, porém, destruída. Razões económicas levaram à sua localização em terra firme, imediatamente junto à água e em zonas acostáveis, com fácil acesso à lenha, aos barros e ao transporte.


Os numerosos fragmentos de ânforas, dos sécs. I, II e IV dC – anteriormente destinadas à exportação de salgas produzidas em vários estabelecimentos ao longo do Estuário do Sado – provam a intensa produção dos fornos do Pinheiro. Sob o ponto de vista produtivo, o Baixo Sado comportava-se como um todo, articulando-se à volta da indústria piscícola, que quase monopolizou a sua indústria.


O que diz a História?
A presença humana no território data de tempos remotos – ao todo, são cerca de 40 as estaçõesarqueológicas identificadas no concelho, abarcando quase todos os períodos da História. Destacam-se as ruínas romanas da Península de Tróia e a da herdade do Pinheiro.


Integrada na Ordem Militar de Santiago, Grândola foi uma comenda normalmente organizada, com uma população dispersa por vários núcleos. A sua dependência em relação a Alcácer do Sal levou a que os moradores pedissem a D. João III a carta de foral de vila, que lhes foi concedida a 22 de Outubro de 1544.


No que se refere à sua organização político-administrativa, Grândola dependia da comarca de Setúbal. Economicamente, a população dedicava-se à agricultura e à pecuária, sendo actividades importantes a moagem, a produção do vinho, a olaria, a tecelagem e a caça. Em 1679 fundou-se em Grândola um Celeiro Comum para fazer empréstimos de trigo a lavradores pobres, passando a Celeiro Municipal aquando da implantação da República.


O séc. XIX, em Grândola, foi um século de progresso. Em 1890 beneficiou da elevação a comarca. Economicamente, prevaleceu a agricultura e, paralelamente, surgiram pequenas unidades transformadoras de cortiça. O início do séc. XX ficou marcado pelo desenvolvimento das vias de comunicação, destacando-se o aparecimento do comboio em 1926.


Na década de 30, Grândola apresentou um novo impulso de crescimento demográfico e económico, correspondente à campanha do trigo integrada na política ruralista e agrícola do Estado Novo. A partir de 1950 iniciou-se um processo de êxodo rural, sobretudo em direcção à Península de Setúbal e a Lisboa, devido à profunda estagnação económica verificada. Apenas nos anos 70 se registou um restabelecimento do nível de vida e, com ele, o desenvolvimento do sector terciário.