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Porto Covo

Porto Covo, aldeia turística, é banhada a poente pelo oceano Atlântico.

Onde fica?
Porto Covo, aldeia turística, é a sede da segunda freguesia do concelho Sines (criada em 1984) e o seu segundo centro urbano mais importante. Banhada a poente pelo oceano Atlântico, faz fronteira a sul com o concelho de Odemira. A norte, os seus limites correspondem à ribeira da Oliveirinha (praia de Vale Figueiros) até à Estrada Nacional 120-1, desde o km 7,5 e seguindo este até encontrar a linha limite do concelho de Sines com o de Santiago do Cacém. Porto Covo dista 450 km do Porto, 175 km de Lisboa e 170 km de Faro.

Como chegar?
Saindo de Sines, tome a Estrada Nacional 120 e, após ter percorrido 19 km, vire à direita e siga até Porto Covo.

O que visitar?
Além de ser uma característica povoação piscatória, Porto Covo é também um pólo de interesse turístico, com as suas praias de areia fina e branca, aquecida pelo sol, entre as falésias. As suas águas são transparentes e ricas em peixes saborosos que deliciam os visitantes.


Coração histórico da aldeia de Porto Covo, o Largo Marquês de Pombal é uma das maravilhas da arquitectura popular portuguesa. A planta, provavelmente de 1789-1794, foi inspirada no modelo pombalino da baixa lisboeta. Situa-se no largo o principal monumento da aldeia: a Igreja de Nossa Senhora da Soledade.


Em frente a Porto Covo, encontra-se a musical ilha do Pessegueiro. Pensa-se que os cartagineses se terão estabelecido na ilha ainda antes da II Guerra Púnica (218-202 a. C.). Na época romana foi um centro portuário e produtor de conservas de peixe, cujas marcas ainda podem ser observadas. É possível que a ilha corresponda à antiga Poetanion referida nos textos clássicos.


Refúgio de piratas durante séculos, a ilha necessitou de defesa contra eles e, em consequência, foi construído o primeiro forte, a mando de Filipe III, em 1603. Não resistiu porém aos ataques e, em finais do séc. XVII, D. Pedro II ordenou a construção de um novo forte, com uma guarnição de 30 homens e cinco peças de artilharia. Também para evitar ataques a partir do continente, foi construído o forte da “ilha de dentro”, hoje abandonado, apesar de ainda serem visíveis o seu fosso e as muralhas quase intactas. O seu amplo terraço permite ver a ilha do Pessegueiro, a praia, e os rochedos que protegem Porto Covo.


Na ilha do Pessegueiro, que inspirou Rui Veloso, que lhe dedicou uma canção, podem ser apreciados a fortaleza do século XVII, as ruínas de um porto romano e uma capela quinhentista. No Verão, é possível visitar a ilha em barcos de pesca ou em passeios de barco. Em frente à ilha do Pessegueiro fica a excelente praia da Ilha, com condições para a prática de windsurf, passeios de barco e pesca desportiva. Junto à praia, pode-se ver uma fortaleza do século XVII, em parte destruída pelo terramoto de 1775.

O que comer?
A base da gastronomia tradicional do concelho de Sines é o peixe e o marisco. Às lotas do concelho chegam todos os dias os ingredientes frescos que fazem a fama dos numerosos restaurantes de Sines e Porto Covo. A cozinha típica desta região junta os frutos do mar aos produtos do Alentejo interior. Pratos como a açorda de marisco e as migas com peixe frito são exemplos desta combinação irresistível entre os sabores. Entre os pratos que se podem apreciar em Porto Covo, destacam-se a caldeirada de peixe, o arroz de tamboril, a massinha de cherne, o arroz e a açorda de marisco, os peixes grelhados e a carne de porco à alentejana, com amêijoas.

O que vestir?
O clima de Porto Covo tem um carácter mediterrânico acentuado, que a influência do oceano modera em alguns aspectos, concretamente na variação da humidade do ar (sempre alta ao longo de todo o ano) e na incidência de nevoeiros e neblinas, sentidos intensamente junto da costa. Também as amplitudes térmicas e as temperaturas extremas resultam atenuadas junto ao litoral. Contudo, a influência atlântica diminui rapidamente à medida que se caminha para o interior. De Verão, opte pelas roupas leves, de cor clara, e tenha cuidado com as noites frias. 

Nos arredores
Porto Covo dista poucos quilómetros de Sines, a sede de concelho. A cidade de Sines oferece ao turista um vasto leque de locais para visitar, dado o seu carácter histórico.


Praias. Nos arredores de Porto Covo existem várias praias, algumas das quais num estado de pureza, que se revelam pequenos paraísos para o visitante. Aqui destacam-se os Aivados, Buzinhos, Cerca Nova, Foz, praia Grande, Samoqueira, Seissal, entre outras.


São Torpes. Entre Sines e Porto Covo encontra-se a praia de São Torpes, uma das mais afamadas da região, nomeadamente dada a sua popularidade entre os surfistas e outros praticantes de desportos náuticos. É uma das praias mais concorridas da região. Esta praia tem uma grande importância na mitologia local, nomeadamente devido a duas lendas – a do mártir São Torpes e a da cidade que teria existido sob as suas areias – e a uma forma especial de embarcação de pesca, a jangada de São Torpes. A jangada de São Torpes é um barquinho de cana usado na pesca de marisco ao largo das praias a sul de Sines. A embarcação é um modelo egípcio disseminado no Mediterrâneo pelos Fenícios, sendo uma raridade etnográfica viva. Esta praia é vigiada na época balnear por nadadores-salvadores. Tem parque de estacionamento, limpeza do areal e recolha de lixo. Água e areal em condições.

O que diz a História?
A freguesia de Porto Covo, nos meados do século XVIII, não era mais do que uma pequena e acolhedora povoação litoral, que lentamente se desenvolvia sobre a arriba, próximo de uma pequena enseada. Próximos de Porto Covo, na ilha do Pessegueiro, restam os dois fortes do Pessegueiro, únicos testemunhos do grandioso projecto que Filipe II de Espanha e I de Portugal havia concebido para ser um porto marítimo.


Ainda no séc. XVIII, o principal interesse de Porto Covo prendia-se com a utilização da calheta local e do ancoradouro do Pessegueiro, como portos de pesca e comércio. Mesmo este uso era limitado pelas condições climatéricas, porque quando o mar estava bravo era impossível entrar na barra de Porto Covo e, se estava mau tempo de Sudoeste, não era seguro o uso do abrigo do Pessegueiro. O local vai, no entanto, despertar a atenção de um grande capitalista, no último quartel de 700; era ele Jacinto Fernandes Bandeira, membro da alta burguesia comercial pombalina.


Em 13 de Junho de 1796, Jacinto Fernandes Bandeira obteve o direito de usar a denominação de senhor de Porto Covo. Em 15 de Agosto de 1805, foi feito barão de Porto Covo. Para concretizar o seu projecto de edificar uma povoação em Porto Covo, mandou fazer um plano constituído por dois desenhos, actualmente conservados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo.


Efectivamente, a nova povoação não correspondeu ao projecto do arquitecto Henrique Guilherme de Oliveira. O casario implantou-se a uma centena de metros para o interior, tendo os moradores a intenção, certamente, de fugir às desvantagens de tão grande proximidade da orla marítima. Ao que se sabe, o arquitecto não teria visitado o local e baseou-se apenas na teórica natureza ribeirinha para a execução do projecto.


Enquanto viveu, Jacinto Fernandes Bandeira empenhou-se no incremento da povoação. Faleceu em 30 de Maio de 1806, solteiro e deixou a sua enorme fortuna aos sobrinhos. Porto Covo nunca chegou também a desempenhar o almejado papel de porto do Alentejo. O litoral onde se localizava era muito pouco povoado. Teve um papel secundário como porto comercial. A pesca foi a actividade mais importante da população de Porto Covo, ostentando algum arcaísmo, visível no recurso a jangadas de cana, que se manteve quase até à actualidade. O desenvolvimento da povoação só registou uma aceleração com a criação do complexo industrial de Sines. Porto Covo tornou-se freguesia do concelho de Sines apenas em 1984.