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Sines

Sines conta com algumas das mais belas praias do País.

Onde fica?
Sines situa-se exactamente no centro da costa alentejana, a 150 km a sul de Lisboa e a 80 km de Setúbal, a cujo distrito pertence. O sul do concelho está integrado no Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, que protege uma das áreas mais intactas do litoral europeu, com algumas das mais belas praias do País.

Como chegar?

O que visitar?
Na cidade tire partido do património edificado e visite a Ermida de Nossa Sr.ª das Salas, classificada Monumento Nacional. Situada defronte do porto de pesca, a construção primitiva data da primeira metade do séc. XIV e a actual, do séc. XVI. Aprecie atentamente o altar-mor em talha dourada com a imagem de Nossa Sr.ª das Salas (séc. XVII); o portal de calcário (estilo manuelino), talvez inspirado no portal da igreja do convento de Jesus (Setúbal); as duas lápides com as armas dos Gamas e a inscrição em que Vasco da Gama afirma a "autoria" da reedificação, etc.


De origens medievais longínquas, o Castelo de Sines mostra as marcas das várias reedificações. Entre as suas paredes, antigamente conhecidas como Paços dos Alcaides-mor, terá nascido o descobridor Vasco da Gama. Visite ainda a igreja matriz de São Salvador (junto do castelo, cuja construção actual teve início em 1730) e, ao lado, a igreja do Espírito Santo (ou da Misericórdia), reconstruída em 1585.


O único porto de recreio entre Setúbal e o Algarve está localizado em Sines. A marina, gerida pela Administração do Porto de Sines, é um apoio fundamental aos veleiros que atravessam o mar alentejano. É a sul do concelho que se situam algumas das mais belas praias do País, pequenas mantas de areia fina e água transparente estendidas entre rochedos, muitas delas desertas em pleno Verão. A dois passos está o campo, com pinhais e sobrais mornos para repouso e piqueniques. 


As praias continuam a ser o seu motivo de atracção, mas são muitos mais os pontos de interesse. A aldeia piscatória de Porto Covo, por exemplo, suscita paixões (a de Rui Veloso é apenas a mais conhecida). Com as suas casas baixas e caiadas, é um exemplo sofisticado do casamento entre a arquitectura tradicional alentejana e o desenho pombalino. Os largos panoramas marítimos, visíveis a partir de quase todos os pontos da aldeia, acrescentam ao ambiente uma particularidade deslumbrante. Ponto de chegada para deleite dos prazeres balneares, Porto Covo pode também ser ponto de partida para incursões pelo interior.


A ilha do Pessegueiro é um dos locais mais interessantes do concelho, quer do ponto de vista histórico, quer paisagístico. Há vestígios de um porto romano expostos na ilha e, na falésia em frente, ergue-se o forte do Pessegueiro. No canal que separa a ilha do continente, existe uma praia de grande beleza, com condições para a prática de windsurf e de pesca desportiva. No Verão, é possível visitar a ilha em passeios organizados a partir de Sines.


O Festival Músicas do Mundo, organizado anualmente pela autarquia de Sines no último fim-de-semana de Julho, é o mais importante evento cultural do concelho e um dos mais importantes no País. No cenário histórico do Castelo, reúne artistas do circuito mundial da world music, do jazz e dos blues. Para todos os públicos.

O que comer?
A base da gastronomia tradicional de Sines é o peixe e o marisco. Às lotas do concelho chegam todos os dias os ingredientes frescos que fazem a fama dos numerosos restaurantes de Sines e Porto Covo. A cozinha típica de Sines junta os frutos do mar aos produtos do Alentejo interior. Pratos como a açorda de marisco e as migas com peixe frito são exemplos desta combinação irresistível entre os sabores da costa e da planície.


Em Julho, há duas oportunidades para provar a variedade e a qualidade da comida sineense: a Mostra Gastronómica, com a presença da melhor restauração do concelho, no terraço do Docapesca, e a Festa da Sardinha, na lota de Sines.

O que vestir?
O clima do concelho tem um carácter mediterrânico acentuado, que a influência do oceano modera em alguns aspectos, concretamente na variação da humidade do ar (sempre alta ao longo de todo o ano) e na incidência de nevoeiros e neblinas, sentidos mais intensamente junto da costa. Também as amplitudes térmicas e as temperaturas extremas resultam atenuadas junto ao litoral. Contudo, a influência atlântica diminui rapidamente à medida que se caminha para o interior. De Verão, opte pelas roupas leves, de cor clara, e tenha cuidado com as noites frias.

Nos arredores
A principal riqueza turística de Sines é a sua costa. Mas o interior do concelho também merece ser intensamente apreciado. A pé, de bicicleta ou de jipe, há espaços interessantes e pitorescos a descobrir. A zona da lagoa da Sancha, a norte do concelho, é um tesouro ecológico ligado ao ecossistema da lagoa de Santo André. A sul do concelho, as áreas rurais da Cabeça da Cabra, Provença e Sonega, cruzadas por várias linhas de água (não esquecer a barragem de Morgavel), têm a beleza das zonas de transição, entre o mar e a charneca.

O que diz a História?
O mar e os seus recursos têm definido a economia, a cultura, a composição e até a mentalidade das gentes de Sines. Os primeiros vestígios que provam a existência de populações humanas na área no concelho remontam ao Paleolítico. Da Idade do Ferro, há registo da presença Celta (da tribo Cinetos, da qual poderá derivar a toponímia de Sines) e Púnica.


No período romano, o concelho definiu-se, pela primeira vez, como centro portuário e industrial. A baía de Sines, protegida das investidas do vento norte, era o porto da cidade de Miróbriga. Sines e a ilha do Pessegueiro tornaram-se pólos do fabrico de salgas de peixe. A segunda hipótese da origem etimológica de Sines é romana: sinus – baía ou seio, que é a configuração do cabo de Sines visto do monte Chãos.


Durante a ocupação árabe do Sul da Península, foi praticamente esquecida. A autonomia administrativa em relação a Santiago do Cacém foi conseguida em 1362, quando D. Pedro I concedeu carta régia a Sines, interessado na sua função defensiva. Em troca, os homens-bonsde Sines construíram o Castelo, onde nasceu, em 1469, Vasco da Gama, filho do alcaide da vila, Estêvão.


A aldeia de Porto Covo foi fundada no final do séc. XVIII por Joaquim da Costa Bandeira, no pressuposto de aí serem construídos dois portos: um de pesca e outro comercial. No séc. XIX, com a expansão do liberalismo, o concelho deixou de pertencer à Ordem de Santiago de Espada (domínio que se verificava desde o início do séc. XIII) e acaba mesmo por ser extinto, em 1855. O século XX, em Sines, praticamente começa com a restauração do município, em 1914.

Em 1970, Sines era ainda um concelho eminentemente piscatório e, de certa forma, deprimido. O grande complexo portuário-industrial criado pelo governo de Marcello Caetano em Sines mudou radicalmente o concelho. As obras arrancaram em 1973 e coincidiram com a grave crise económica que abalou o mundo ocidental.


Sines tornou-se um pólo de imigração. O nível de vida subiu de uma maneira geral; a paisagem ganhou elevado grau de intervenção humana, muitas vezes requerendo empenhamento dos locais para a defesa da sua integridade – a Greve Verde realizada em 1982, a primeira do país, constituiu um marco da luta ecologista em Portugal.