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Cultura e Património

Nos cinco concelhos pode desfrutar de lugares históricos para visitar e de paisagens que se estendem da serra até ao mar.

Alcácer do Sal

Das muralhas do Castelo podemos ver a cidade debruçada sobre o Sado. O casario dá-lhe uma tonalidade branca, entrecortada pelo vermelho dos telhados. As ruas e calçadas medievais, estreitas entre o casario, assinalam velhos caminhos. Esta é uma das mais antigas cidades da Europa e desempenhou um papel preponderante na rota do escoamento marítimo de produtos provenientes do Alentejo interior. No concelho de Alcácer do Sal, a cada esquina, a História e a memória espreitam-nos.

Para lá da cidade, a presença romana é revelada na aldeia de Santa Catarina de Sítimos ou nos fornos de ânforas, em direcção ao Pinheiro. Testemunhos arqueológicos mais antigos, como o Monte da Tumba e a Anta de São Fausto, convidam a percursos pela freguesia do Torrão, nos limites do concelho. Nesta vila, é possível visitar a belíssima igreja matriz e apreciar a arquitectura religiosa da zona.

A Igreja do Espírito Santo, no centro da cidade, a Igreja de Santa Maria do Castelo, o santuário do Senhor dos Mártires, entre outros edifícios, integram um percurso onde o tempo é marcado pela solenidade e pelo silêncio. Nas aldeias do Pinheiro e Santa Susana são as cores que irrompem sobre o olhar. O branco das casas caiadas recorta-se no azul do céu e das portas e a quietude do lugar desperta-nos para o domínio da natureza. Na região, a albufeira da barragem de Pego do Altar, na ribeira de Santa Catarina, e o açude da Bemposta, ambos na freguesia de Santa Susana, convidam à prática de desportos náuticos, como a canoagem e a vela, ou a actividades mais contemplativas como a pesca. Reencontramos de novo o silêncio, apenas interrompido pelo som dos pássaros ou da água, enquanto repousamos na Pousada de Vale do Gaio, junto à albufeira que lhe dá o nome.

De regresso à cidade, detemo-nos na zona ribeirinha e preparamos um cruzeiro ao longo da Reserva Natural do Estuário do Sado, habitat natural de várias espécies de peixes e aves. Antes, contudo, não resistamos a outra experiência. É que a gastronomia da região traz consigo segredos da relação entre as gentes, o rio e as planícies. Pedimos, então, ao Sado para esperar mais um pouco e acabamos por, indefinidamente, adiar a partida. As festas e as feiras, as corridas de touros, entre outras tradições de Alcácer convencem-nos a ficar.

Grândola

Entre o mar e a serra, o concelho de Grândola oferece diferentes paisagens e experiências. Procurado pela qualidade do seu lazer, é também marcado pela História. No interior, descobre-se um cenário natural dominado pelo silêncio da Serra de Grândola. No litoral, a faixa costeira do concelho estende-se ao longo de 45 km, desde o extremo da Península de Tróia até à praia de Melides, desafiando a exploração do imenso areal.

A Península de Tróia, que se prolonga por 18 km de comprimento até à praia da Comporta, é conhecida pelas praias de areia branca e mar calmo e também pelo campo de golfe, já com muita tradição junto dos adeptos da modalidade. Assume-se como importante centro turístico e inclui na sua área a Estação Arqueológica, um dos mais interessantes conjuntos fabris de conserva de peixe do Império Romano.

A costa de Grândola convida ainda ao descanso no extenso areal da praia do Carvalhal antes de iniciar a descoberta do interior do concelho. Sugere-se uma paragem em Pinheiro da Cruz para conhecer a produção de vinhos e de artesanato local dos habitantes do seu estabelecimento prisional.

Na vila de Grândola, prevalece o artesanato feito em cortiça, ferro e pele. No meio da brancura das casas da “vila morena” sobressai a Igreja Matriz, com o retábulo neoclássico, a pintura maneirista de Fernão Gomes e belos exemplos de azulejos. O Jardim Municipal Primeiro de Maio abriga do forte calor dos meses de Verão e convida aos jogos tradicionais.

Na serra de Grândola, é a natureza que domina a paisagem. A sombra junto à ribeira convida a uma paragem, antes de iniciarmos a tradicional Rota da Serra. No topo encontra-se a Ermida de Nossa Senhora da Penha, do séc. XVIII, cujo interior, forrado de azulejos, pede tempo ao olhar. No exterior, o miradouro natural, com o mesmo nome, revela, ao fundo, a vila e a planície. Na aldeia de Santa Margarida da Serra, a Igreja de Nossa Sr.ª da Saúde e a arte tradicional justificam um momento de repouso.

Seguindo ainda mais para o interior do concelho, nos arredores da aldeia de Azinheira de Barros, descobre-se a Pata do Cavalo, uma construção funerária datada do período megalítico, e a Igreja de Nossa Senhora do Viso, edificada no século XV. No Lousal, localidade com um passado mineiro, o Centro de Artesanato e Arqueologia Industrial evoca actividades e hábitos antigos. Encontram-se aqui representadas algumas das actividades regionais traduzidas em peças de ferro forjado ou cerâmica pintada.

O percurso não deve terminar sem nova incursão ao litoral, desta vez na praia de Melides. A lagoa com o mesmo nome é um verdadeiro paraíso para a fauna e flora locais, aberto à prática dos desportos náuticos e às longas caminhadas. Na vila de Melides, é possível visitar a Igreja de São Pedro e a famosa olaria. Nos arredores, vale ainda a pena conhecer as mantas de lã de Vale Figueira e, perto desta aldeia, a necrópole da Casas Velhas, da Idade de Bronze, e o dólmen da Pedra Branca.

Odemira

Em Odemira, o maior concelho do País em área geográfica, as paisagens são pintadas pelo mar, a planície e as serras. Muito procurado no Verão, devido aos seus 55 km de costa, trata-se de um concelho de beleza inigualável, para a qual contribui o rio Mira e a barragem de Santa Clara. Aliado ao património natural está o património edificado que encontramos em várias freguesias e povoações, na arquitectura religiosa e popular.

Ao longo da costa, em direcção ao sul, deparamos com o azul e o branco das casas de Vila Nova de Mil Fontes, onde o rio Mira convida a um passeio. A igreja matriz e a ermida de São Sebastião merecem uma visita. O forte da Boca do Rio, uma edificação filipina do século XVII, hoje convertido em turismo de habitação, oferece uma vista privilegiada sobre o rio e o porto de pesca.

As águas do Mira conduzem-nos até à povoação de Santa Clara-a-Velha. O rio, a serra e os azinhais traçam um cenário espantoso, que nos sugere a descoberta de paraísos ocultos Aproveite para apreciar a arquitectura popular das casas, a gastronomia, a igreja matriz e a ponte de Santa Clara, conhecida como romana, mas construída no século XVIII. Mais a norte, em São Martinho das Amoreiras, pode também encontrar a estação arqueológica do Pardieiro, uma necrópole datada da Idade do Ferro.

Na freguesia de Colos, recomendam-se visitas às igrejas de Nossa Senhora da Assunção e da Misericórdia, monumentos datados do século XVI, onde é visível a presença de vários motivos arquitectónicos e decorativos, e à Ermida da Senhora das Neves, perto da qual podemos desfrutar de uma bela vista sobre a serra e a planície. Estendendo-se da serra até ao mar, São Teotónio recebe-nos com ambientes e tons distintos. No centro da vila, está a igreja matriz e junto à costa, no cabo Sardão, onde a paisagem é dominada pela natureza, podemos conhecer o farol construído em 1915.

A igreja de São Luís e o porto fluvial da Casa Branca, bem como o artesanato local, são motivos que convidam a um passeio pela povoação de São Luís. Entre o mar e a margem sul do rio Mira, em Longueira/Almograve, sugere-se uma visita ao moinho de vento que ainda serve a população.

Em Odemira, vila sede do concelho, cujo nome recorda uma lenda moura, as igrejas da Misericórdia e de Salvador surgem como exemplos singulares da arquitectura religiosa maneirista. A ermida de Nossa Senhora da Piedade evoca um antigo santuário mariano datado da Idade Média, enquanto que a igreja paroquial de Santa Maria revela, ainda, sinais do antigo convento franciscano ali fundado no século XVI. Faça uma visita ao moinho de vento da vila e aprecie o panorama ribeirinho.

Santiago do Cacém

Monumentos, tradições e histórias antigas contribuem para a definição da identidade de Santiago do Cacém. Aqui, onde a História deixa a sua marca indelével, recordamos o passado nos centros históricos, na arquitectura e nos vestígios de tempos passados.

Subindo a cidade, deparamos com o planalto que abriga as ruínas romanas de Miróbriga. Nesta estação arqueológica repousa aquilo que foi uma villa romana, com as suas casas, dois templos, uma estância termal e espaços comerciais. Aproveite para libertar imaginação enquanto percorre as calçadas de xisto. De passagem, a caminho da cidade, vale a pena parar no Moinho da Quintinha, que, mediante os humores do vento, deixa os visitantes assistir à moagem tradicional dos cereais. Do monte, abre-se uma vista impressionante sobre a cidade.

O centro histórico de Santiago do Cacém, com as suas ruas e calçadas estreitas, merece um passeio sossegado. Conheça o harmonioso conjunto arquitectónico da Praça Conde de Bracial, com o seu pelourinho datado do século XIX, e onde se encontram várias casas brasonadas. No Museu Municipal, em plena Praça do Município, descubra um espólio constituído por peças arqueológicas e etnográficas e uma importante colecção de numismática.

Nos limites da cidade, situa-se o castelo com as suas nove torres. Classificado como Monumento Nacional desde 1910, foi erigido antes da reconquista cristã e apresenta no seu interior elementos arquitectónicos de diferentes períodos históricos. Suba a uma das muralhas e surpreenda-se com o panorama.

Não deixe a cidade para trás sem antes conhecer a igreja matriz. De origem gótica e edificada no século XIII, apresenta no exterior aspectos barrocos e de cariz cenográfico. As abóbadas manuelinas da capela ou a iconografia cristã das arcadas, bem como os altares e os azulejos, entre outros motivos artísticos de interesse, também justificam uma visita ao templo.

Ao longo do concelho encontramos outros motivos de interesse, representados na arquitectura religiosa, no património arqueológico e no artesanato. Na freguesia de São Francisco da Serra, a igreja paroquial esconde frescos dos séculos XVI e XVII e as ruínas da Ermida de Nossa Senhora do Livramento são um lugar ideal para conhecer um pouco mais as raízes do concelho.

Em Cercal do Alentejo, encontram-se dois motivos que justificam uma visita. São eles o centro histórico, com suas ruas sinuosas a dar para o campo, e a Quinta da Mandorelha, com a sua pequena barragem e moinho de água. Na freguesia de Alvalade, conheça o pelourinho local, datado do século XVI, e descubra a Igreja da Misericórdia, de linhas maneiristas, ou as ruínas da Ermida de S. Roque.

Sines

Sines vive inseparável do mar, que marca a cultura e a natureza do concelho. Ao longo dos extensos areais, cortados pelas arribas, o apelo do oceano é, quase sempre, irresistível. A contribuir para este encantamento estão também as marcas do tempo. Evocando a figura de Vasco da Gama ou histórias de outras épocas, os seus sinais exercem nos visitantes um fascínio especial.

Firmado sobre a baía, olhando altivo o mar, encontramos o Castelo de Sines. Construído no século XV, para funções defensivas, tem sido desde então objecto de várias obras de restauro. Visite o seu interior, onde Vasco da Gama terá nascido em 1469, e percorra as muralhas das quais espreitam as praias e, ao fundo, o oceano.

A igreja Matriz, reconstruída no século XVIII, é um monumento de origem gótica que convida a um momento de tranquilidade. Aprecie a beleza dos altares e do painel da autoria de Emmerico Nunes e as pinturas barrocas. No exterior espera-o um reencontro com a paisagem sob o olhar do navegador, representado numa estátua. Na capela da Misericórdia encontra-se o espólio do Museu Arqueológico, do qual se destaca o Tesouro do Gaio, descoberto em 1966 numa sepultura fenícia, que inclui jóias e outras peças em ouro, prata e marfim.

Percorra depois o centro histórico. As ruas iluminadas pelo sol insinuam, aqui e ali, miradouros sobre o mar. A caminho de poente descanse perto da Ermida de Nossa Senhora das Salas, em frente ao porto de pesca. Este monumento, mandado construir por uma princesa grega no século XIV, foi reedificado, dois séculos depois, segundo ordens de Vasco da Gama. O altar-mor em talha dourada, datado do século XVII, os azulejos alusivos à vida de Maria, o retábulo e o portal manuelino, bem como outros elementos, são motivos que justificam uma visita ao templo.

Conheça também o artesanato da região. Barcos em miniatura, feitos em madeira ou arame, são exemplos do outro saber fazer dos pescadores. Na cidade pode assistir ao trabalho das artesãs locais, verdadeiras especialistas na arte das rendas de bilros. No interior do concelho, são os trabalhos em palha e vime e as cestas de cana que sobressaem.

Porto Covo é uma aldeia turística, suavemente inclinada para o mar, cujo azul se confunde com as cores do casario. Passeie até ao largo principal e descubra a sua arquitectura popular. Siga depois para a Ilha do Pessegueiro, onde vai encontrar vestígios de um porto romano e um forte construído durante o reinado de Filipe II. Aproveite para desfrutar a paisagem e, depois de regressar à costa, não deixe de entrar no forte da Ilha do Pessegueiro. Suba às suas muralhas, detenha-se diante do terraço e guarde essa imagem para sempre.